sábado, 27 de setembro de 2014

Começou!

Dês do mês passado meu carro está na oficina do Gito , onde passou por um check up completo. Ele detectou um desalinhamento no chassi de 2,5cm e decretou que antes de iniciar a chapeação teria que passar o carro pelo cyborg (que para quem não conhece nada mais é que um conjunto de correntes e pistões que vão esticando o carro até ele ficar alinhado). O Gito me contou que o carro resistiu um pouco, até que houve um estouro e a massa começou a cair da lataria. Ontem começamos a raspar o carro e fiquei impressionado com a quantidade de reboco que tinha nele.

A antiga e espessa massa "Cassique", sendo retirada.
Agora vamos começar a consertar o que os outros não quiseram fazer, iniciando pela traseira. Estou tranquilo sabendo que meu KG está em boas mãos. Mas só alisar e pintar não basta para conseguir a tão almejada placa preta, então defini uma lista de melhorias a fazer no meu Karmman Ghia para elevá-lo ao status de joia rara de colecionador. São elas:

Cor - Embora tenha recebido muitos elogios sobre a cor atual do carro, acredito que este verde não seja o original. Segundo o livro de cores da Volks Wagen, o único verde em que o Karmman Ghia foi oferecido em 1964 era o Esmeralda, mas o meu puxa mais para o azul. Decidi fazer um teste de cor para validar isso e me ajudar a escolher a nova cor.

Painel - Os botões estão fora do lugar e o cinzeiro foi completamente removido para dar lugar a um rádio não original que ocupa mais espaço do que deveria. A coluna de direção é do Fusca, e a ignição deveria ser no lado direito do painel. O alto falante, antes coberto por uma bela grade de formato ovalado, esconde-se agora embaixo de uma peça plástica preta de gosto duvidoso. O Relógio não está funcionando, o sistema de esguicho d'agua foi desativado, e até a cor do painel está errada, pois este era pintado na cor do corpo do carro nas versões saia-e-blusa, e não na cor do teto. Tudo isso terá que ser corrigido, as custas de muito trabalho e dinheiro.

Painel atual do meu carro.                          Painel original de 1964.

Grades - Existia uma telinha preta atrás das grades frontais que serviam para evitar a entrada de sujeira e insetos. Por algum tempo tive dúvidas sobre a originalidade deste item, mas recentemente encontrei-a no manual de manutenção da Volks. Agora tenho que descobrir onde consigo um par em bom estado.

Bancos - Os bancos que estão no meu carro são de outro modelo, e foram aparafusados sobre o trilho do original sem o menor capricho. Terei que comprar novos e corrigir todo o dano causado na instalação dos atuais antes de colocar o estofamento correto.

Bancos atuais do meu carro.                      Bancos originais de 1964.

Motor - Embora estejam funcionando bem, o filtro de ar e a bomba de gasolina não são originais. Confesso que me preocupo com o tipo de problema que colocar as peças originais do motor trarão para meu carro no futuro, já que as peças atuais são mais modernas e retroceder na tecnologia dificilmente melhora a performance do veículo.

Rodas - Até 1966 as rodas do Karmann Ghia eram presas por cinco parafusos e completamente fechadas. As que estão no meu carro tem furos de ventilação para os freios, o que não está correto. Como as rodas são itens de eliminação sumária na avaliação para placa preta, estas terão que ir rodas em outro lugar.

Rodas atuais do meu carro.                       Rodas Originais de 1964.

Ar quente - Se existe um item que atesta a qualidade de um Karmann Ghia é seu sistema de ar quente. Atualmente o meu não funciona, e as entradas de ar do assoalho foram obstruídas, mas recolocaremos o sistema de dutos e o registro ao lado da alavanca de marchas para funcionar novamente.

Luz alta - Uma das coisas que eu mais tenho vontade de experimentar no meu carro após a restauração é o botão de luz alta ao lado do pedal da embreagem. Atualmente o carro está sem este recurso.

Novos pontos de melhoria serão acrescentados  a medida que a restauração for desenterrando os problemas do carro, mas já posso começar a comprar essas peças. Que o falecido senhor Henrique Erwenne interceda no céu a meu favor!

domingo, 14 de setembro de 2014

O Lendário Teto Solar do Karmann Ghia


Desde que iniciei a restauração do Karmann Ghia tenho buscado por literatura confiável para basear meu projeto. E por diversas vezes me deparei com a afirmação de que foram produzidos KGs com teto solar no Brasil. Mas eu nunca vi ou ouvi falar de um nos encontro, nem encontrei fotos na internet. Na verdade a única que consegui foi esta acima, de uma publicidade alemã. Mesmo assim dá para ter bastante certeza que este opcional foi instalado abaixo da linha do equador.

A primeira pista está no manual do carro. Tenho uma cópia do manual de 1964 que dá dicas de cuidados com o "tejadilho corrediço". Segundo o Paulo Cesar Sandler em seu livro Karmann Ghia - O Design que Virou História estes manuais eram impressos em Portugal, por isso o nome engraçado para teto solar. Paulo também afirma em seu livro que este opcional só começou a ser vendido no Brasil a partir de 1965.

Pessoalmente ainda tenho dúvida sobre esta data, pois segundo os sites Best Cars e Retro Auto o objeto deste post só começou a ser oferecido a partir de 1966. Mas o importante é que todos concordam que ele existiu.

Mas a melhor pista (ou devo dizer prova) está em um documento que consegui com meu amigo Fábio: O esquema explodido de peças do Karmann Ghia, direto do manual de manutenção que era enviado à rede de concessionárias WV.

Como é possível ver na figura acima, o teto solar (ou "teto corrediço", segundo este mesmo manual) era do tipo deslizante, e não telescópico, o que já exclui boa parte dos candidatos que encontramos na web. Fica a dúvida porem se ele era de vidro ou metal, pois isso não está especificado no manual.

Assim convido a todos que souberem de algum KG brasileiro conversível de fábrica ou encontrar alguma foto na web a postar o link nos comentários. Mas já aviso: Buscar isso no Google não é tão fácil, pois a Karmann Ghia vem instalando tetos solares em carros brasileiros nos últimos cinquenta anos, e existem mil variações deste opcional. Então analise bem a imagem do manual de manutenção para ter certeza que encontrou o verdadeiro.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

EXPOCLASSIC 2014

Neste final de semana visitei a Expoclassic em Novo Hamburgo, anunciado pelos organizadores como "o maior encontro de veículos antigos em área coberta do Brasil". Deixando de lado a discussão sobre o tamanho do evento, gostaria de dizer que o encontro estava muito bom: Razoavelmente organizado, com mais de setecentos carros expostos nos dois andares, mercado de peças, souvenirs, premiações e carros a venda. A única critica que posso fazer é quanto a distribuição dos carros e a disponibilização de informações, já que a separação por época ou estilo dos veículos deixou a desejar (imagino que se deva a problemas logísticos de preenchimento do pavilhão) e os textos sobre a os modelos e a indústria automobilística nacional eram inexistentes. Mesmo assim recomendo a todos que gostam de antigomobilismo e ainda não foram que visitem a FENAC ano que vem!

Meu objetivo neste encontro, além de apreciar as joias lá expostas, era avaliar o nível dos carros premiados. Fiquei surpreso ao encontrar carros com placa preta pintados de cores inexistente em suas épocas (o que está em desacordo com o a resolução nº 56 do CONTRAN). De modo geral, não fiquei intimidado: Meu Karmann Ghia dará show neste evento em 2015!

Mas chega de conversa, pois é hora de ver algumas fotos. Tirei muitas, então elegi dez (onze com o Porsche) para compartilhar com vocês. Espero que gostem!

Duas BMW Isetta. Adoro estes brinquedinhos, que licenciados no Brasil pela Romi foram os primeiros veículos fabricados no Brasil.
A traseira de um Cadillac 1959. Isso mesmo, não é a dianteira do carro! Reparem no detalhe do volante dentro do carro.
Várias ferraris nesta feira, mas são os Porches que chamam a minha atenção. Muito, mas muito mais bonitos!
 Alpha Romeo 1968. Já havia visto este carro em um encontro do VCC de POA. Ele realmente já correu. Boa parte do interior foi removido e um Santo Antônio foi instalado para dar mais segurança. As alças de couro são para o capô não levantar durante a corrida.
 Chevy 1957 com pintura impecável!
 Corvette 1969, o segundo modelo mais bonito da linha Corvette. (O mais bonito é o modelo 1959. Nem tentem discutir comigo.)
Não lembro o ano deste KG, mas com a ajuda do João estimamos que seja de 1969. Tem várias modificações no interior, e a cor não é original (óbvio). Mas falei com o proprietário e ele ainda pretende restaurá-lo. Por hora quer apenas rodar com ele para encontrar os defeitos e curtir o carro. Boa tática!
 Este KG está bem mais original... De 1969 ou anterior.
 Simca Chambord 1962 com uma bela escolha de cores.
Meu pai, que foi meu parceiro neste passeio, ao lado de um Thunderbird 1959. Valeu paizão!
O Porsche Speedster do João Cesar Santos. Tá praticamente a pé o João, coitado... kkk