domingo, 14 de setembro de 2014

O Lendário Teto Solar do Karmann Ghia


Desde que iniciei a restauração do Karmann Ghia tenho buscado por literatura confiável para basear meu projeto. E por diversas vezes me deparei com a afirmação de que foram produzidos KGs com teto solar no Brasil. Mas eu nunca vi ou ouvi falar de um nos encontro, nem encontrei fotos na internet. Na verdade a única que consegui foi esta acima, de uma publicidade alemã. Mesmo assim dá para ter bastante certeza que este opcional foi instalado abaixo da linha do equador.

A primeira pista está no manual do carro. Tenho uma cópia do manual de 1964 que dá dicas de cuidados com o "tejadilho corrediço". Segundo o Paulo Cesar Sandler em seu livro Karmann Ghia - O Design que Virou História estes manuais eram impressos em Portugal, por isso o nome engraçado para teto solar. Paulo também afirma em seu livro que este opcional só começou a ser vendido no Brasil a partir de 1965.

Pessoalmente ainda tenho dúvida sobre esta data, pois segundo os sites Best Cars e Retro Auto o objeto deste post só começou a ser oferecido a partir de 1966. Mas o importante é que todos concordam que ele existiu.

Mas a melhor pista (ou devo dizer prova) está em um documento que consegui com meu amigo Fábio: O esquema explodido de peças do Karmann Ghia, direto do manual de manutenção que era enviado à rede de concessionárias WV.

Como é possível ver na figura acima, o teto solar (ou "teto corrediço", segundo este mesmo manual) era do tipo deslizante, e não telescópico, o que já exclui boa parte dos candidatos que encontramos na web. Fica a dúvida porem se ele era de vidro ou metal, pois isso não está especificado no manual.

Assim convido a todos que souberem de algum KG brasileiro conversível de fábrica ou encontrar alguma foto na web a postar o link nos comentários. Mas já aviso: Buscar isso no Google não é tão fácil, pois a Karmann Ghia vem instalando tetos solares em carros brasileiros nos últimos cinquenta anos, e existem mil variações deste opcional. Então analise bem a imagem do manual de manutenção para ter certeza que encontrou o verdadeiro.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

EXPOCLASSIC 2014

Neste final de semana visitei a Expoclassic em Novo Hamburgo, anunciado pelos organizadores como "o maior encontro de veículos antigos em área coberta do Brasil". Deixando de lado a discussão sobre o tamanho do evento, gostaria de dizer que o encontro estava muito bom: Razoavelmente organizado, com mais de setecentos carros expostos nos dois andares, mercado de peças, souvenirs, premiações e carros a venda. A única critica que posso fazer é quanto a distribuição dos carros e a disponibilização de informações, já que a separação por época ou estilo dos veículos deixou a desejar (imagino que se deva a problemas logísticos de preenchimento do pavilhão) e os textos sobre a os modelos e a indústria automobilística nacional eram inexistentes. Mesmo assim recomendo a todos que gostam de antigomobilismo e ainda não foram que visitem a FENAC ano que vem!

Meu objetivo neste encontro, além de apreciar as joias lá expostas, era avaliar o nível dos carros premiados. Fiquei surpreso ao encontrar carros com placa preta pintados de cores inexistente em suas épocas (o que está em desacordo com o a resolução nº 56 do CONTRAN). De modo geral, não fiquei intimidado: Meu Karmann Ghia dará show neste evento em 2015!

Mas chega de conversa, pois é hora de ver algumas fotos. Tirei muitas, então elegi dez (onze com o Porsche) para compartilhar com vocês. Espero que gostem!

Duas BMW Isetta. Adoro estes brinquedinhos, que licenciados no Brasil pela Romi foram os primeiros veículos fabricados no Brasil.
A traseira de um Cadillac 1959. Isso mesmo, não é a dianteira do carro! Reparem no detalhe do volante dentro do carro.
Várias ferraris nesta feira, mas são os Porches que chamam a minha atenção. Muito, mas muito mais bonitos!
 Alpha Romeo 1968. Já havia visto este carro em um encontro do VCC de POA. Ele realmente já correu. Boa parte do interior foi removido e um Santo Antônio foi instalado para dar mais segurança. As alças de couro são para o capô não levantar durante a corrida.
 Chevy 1957 com pintura impecável!
 Corvette 1969, o segundo modelo mais bonito da linha Corvette. (O mais bonito é o modelo 1959. Nem tentem discutir comigo.)
Não lembro o ano deste KG, mas com a ajuda do João estimamos que seja de 1969. Tem várias modificações no interior, e a cor não é original (óbvio). Mas falei com o proprietário e ele ainda pretende restaurá-lo. Por hora quer apenas rodar com ele para encontrar os defeitos e curtir o carro. Boa tática!
 Este KG está bem mais original... De 1969 ou anterior.
 Simca Chambord 1962 com uma bela escolha de cores.
Meu pai, que foi meu parceiro neste passeio, ao lado de um Thunderbird 1959. Valeu paizão!
O Porsche Speedster do João Cesar Santos. Tá praticamente a pé o João, coitado... kkk

sábado, 19 de julho de 2014

A Busca pela Oficina Perfeita

Agora com placa de Porto Alegre
Depois de visitar o CRVA duas vezes para transferir o carro para meu nome e não conseguir devido ao sistema estar fora do ar, tive sucesso nesta quinta-feira. Claro que tive que pagar uma multa por demorar mais de 30 dias após a compra para fazer a transferência (mesmo que a culpa não tenha sido minha), mas mesmo assim fiquei feliz por finalizar esta etapa burocrática. Era só o que eu estava esperando para levar meu carro nas oficinas e começar a orçar a restauração, e comecei pelas dicas que recebi dos sócios do Veteran Car Club.

A primeira, Mecânica Auto Nacional em Porto Alegre, me deixou com uma boa impressão. Estavam com vários carros de membros do clube lá (alguns aguardando peças, outros verba...) e me mostraram prêmios que já ganharam com o trabalho deles. É um negócio de família: a terceira geração de mecânicos é quem está tocando a oficina, e a quarta já está lá ajudando. Me passaram um orçamento completo, incluindo as etapas que eles não executam (como a funilaria, feita por um terceiro de confiança deles). Qualidade tem seu preço, e não é barato. O lado bom é que poderiam iniciar imediatamente, e preveem um tempo total de execução de três meses.

A segunda, Tetra Restaurações em Gravataí, tem foco na funilaria e pintura. Terceiriza a mecânica, a parte elétrica e o estofamento com parceiros de longa data. O dono me atendeu super bem, mas está com tanto trabalho e com tão poucos funcionários que eu teria que amargar até o ano que vem na fila para ele conseguir uma vaga em sua oficina para o meu carro. E o preço também não é baixo. Valeu pela chance de ver as carangas no pátio dele, mas pra mim não vai dar.

Semana que vem vou levar o Karmann Ghia para duas oficinas em Novo Hamburgo e então tomarei a decisão. Se alguém tiver alguma dica aceito sugestões!